História da cremação e crematórios em Portugal.

Antecedentes históricos da prática da cremação em Portugal.

Na aldeia as tochas crepitam enquanto os guerreiros preparam a pira da cremação.

Contendo as lágrimas pelo negro futuro que conseguem prever, as mulheres lavam e vestem com a sua túnica funerária o corpo do maior de todos os Lusitanos, Viriato, privado da vida mas não da imortalidade que a história lhe reserva.

Naquela noite já distante, foi a cremação que levou Viriato para junto do seu deus Arencio, enquanto os guerreiros dançavam em redor da pira funerária, e os cavaleiros troteavam em desfile com ecos que ressoarão pela história Portuguesa muito depois de se apagarem os últimos vestígios do domínio Românico.

Através dos Trácios que a passam aos Gregos, a cremação na Europa existe já como prática difundida durante o século XII a.C. Por seu turno, a cremação em Portugal é uma marca da antiguidade pré-cristã, sendo praticada pelos povos Iberos, entre os quais contamos os Lusitanos.

Para outras civilizações mundiais como a Hindu, o corpo é o contentor da alma, que só pela chama se sentirá liberta para partir para a próxima vida, mas na Península Ibérica, a Cristianização e subsequente conquista Islâmica colocaram um fim à prática da cremação.

As fundamentações Católicas encontram-se no Génesis (3:19), onde Deus diz especificamente a Adão que da terra foi tomado e à terra tornará, enquanto Cristo é Ele também sepultado para ressuscitar na Páscoa.

Tal argumento é por isso suficiente para advogar a inumação que não cessará de ganhar preponderância. A cremação praticava-se portanto apenas em situações de extrema gravidade, caso de crises epidémicas ou batalhas.

No renascimento, as pressões classicistas para o retorno da prática foram equacionadas a uma secularização indesejável aos olhos da Igreja, e a partir de 1886 são publicados diversos cânones contra o processo.

Só em 1963 o Papa Paulo VI autoriza a cremação de Católicos levando a um extremar das posições da Igreja que a proíbe partir de 1917, e só no início dos anos 60 viria a alterar a sua posição. Mais tarde, só em 1997 passa a ser possível cremar um indivíduo antes da celebração da liturgia, mas a Igreja ainda proíbe o espalhar das cinzas.

Fornos crematórios em Portugal: uma curta história.

Pelas raízes profundamente Católicas da nação, a cremação em Portugal surge muito tarde, já em pleno século XX. O primeiro forno crematório de Portugal, situado no Cemitério do Alto de São João – Lisboa, abriu somente em 1925 após um longo processo de discussão pública, apenas para voltar a fechar em 1936. O interesse pela cremação em Portugal permaneceu baixo, e em 2008 ainda só existiam quatro fornos crematórios em todo o país.

Com o novo século, a falta de espaço nos cemitérios e as mudanças na família que retiram o tempo para cuidar dos jazigos dos familiares, a cremação passa a ser vista como um método eficaz e preferencial de tratamento do cadáver.

Entre 2008 e 2013, opera-se então uma forte mudança e existiam em 2013, 17 locais para a prática da cremação em Portugal, com tendência para crescimento.

À data deste artigo, a Associação Nacional de Empresas Lutuosas deu conta da entrada em serviço do novo forno crematório de Camarate, estando em construção outros dois em Viseu e Mangualde, enquanto o novo forno crematório do cemitério de S. Martinho, Funchal, entrará em serviço em Janeiro de 2014, fazendo o número total ascender a 21 unidades crematórias.

A cremação em Portugal deixou definitivamente de ser um assunto tabu.

Qual o preço da cremação em Portugal?

Em Portugal, todas as boas agências funerárias estão em condições de permitir à família enlutada a opção pela cremação, mas os tarifários são cobrados por cada forno de forma bastante díspar, estando contudo em linha com os pedidos por uma inumação normal.

Por exemplo, segundo a Regulamento de Geral de Taxas do Município de Lisboa, uma cremação custava em 2012 146,80€ enquanto uma inumação em Sepultura Perpétua custava 143,90€. Por comparação, a Câmara Municipal do Funchal já fixou em 220€ a taxa a pagar no novo forno crematório, inferior a uma inumação.Lusitana - cremação e crematórios

Embora estes valores se alterem apreciavelmente quando a cremação é feita fora do horário de expediente ou a não-residentes do concelho onde se situam os fornos crematórios, a possibilidade de um familiar reter as cinzas, evitando os custos de manutenção anuais associados ao depósito em jazigo, tornam a cremação em Portugal uma possibilidade económica a longo prazo.

Que agências funerárias têm serviço de cremação?

Efectivamente, todas as boas agências funerárias têm hoje em dia a cremação incluída no seu leque de serviços. É o caso da Lusitana que lhe disponibiliza profissionais competentes, experientes e atenciosos, capazes de lhe dispenderem toda a informação necessária quanto ao processo de cremação.

O seu número nacional grátis 800 208 542, encontra-se disponível 24 horas por dia.

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Sobre Vasco Simões

Jovem de 33 anos, depois de estagiar com vários especialistas, nalguns casos, com mais 25 anos de experiência, desenvolve a sua atividade enquanto mestre de cerimônias desde 2010 na Lusitana, procurando conjugar a tradição com a inovação, aportando uma nova imagem ao setor. Liderando uma equipa que reflete o espirito da Lusitana, o compromisso na escuta e acompanhamento das pessoas que nos procuram, a prestação de serviços adaptada a cada um, cultiva e promove valores fundamentais na atividade, tendo como resultado; contemporaneidade, segurança e confiança. Mestre de cerimonia da Lusitana, com formação em Legislação laboral e da atividade funerária,orçamentação e faturação de produtos e serviços funerários,procedimentos burocráticos relativos ao óbito,prevenção de riscos na atividade funerária;psicologia do luto, tanatopraxia e tanatoestética.

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